Em 3 anos, Android baterá Windows em número de vírus, diz especialista


Pesquisador de segurança Eugene Kaspersky concedeu entrevista ao G1.Assim como usuários, hackers irão migrar para sistema operacional móvel.

Em três anos, o Android deve substituir o Windows e se tornar o
principal alvo de hackers. A migração dos usuários para tablets e
smartphones será acompanhada pelos criminosos, segundo Eugene Kaspersky,
fundador da empresa de antivírus.

“Quem comprou um computador hoje, vai substituí-lo por um tablet daqui
três a quatro anos”, afirmou o especialista em segurança em entrevista
ao G1. “O Windows ainda domina o mercado de vírus. Mas
acredito que a maioria dos criminosos tradicionais vai migrar para o
Android em 3 ou 4 anos”.

O sistema operacional móvel do Google
registrou um aumento de 472% no número de vírus desde julho de 2011.
Segundo Kaspersky, há mais de 4,7 mil assinaturas de ameaças para
Android atualmente. O termo “assinatura” é usado pela indústria para se
referir a um registro de praga dentro de um antivírus. Uma mesma
assinatura pode detectar vários códigos distintos, desde que sejam
parecidos.

“A tendência é que as pessoas hoje comprem menos computadores e mais
tablets”, disse Kaspersky. “Além disso, as empresas de software serão
todas orientadas pelo Android. Hoje, elas primeiro desenvolvem
aplicativos para Android, depois para iPhone”, explicou.

No momento, o iPhone é mais seguro que a plataforma do Google, na
opinião de Kaspersky. “Os criminosos virtuais são humanos e preguiçosos.
é até simples desenvolver e infectar um iPhone pela App Store. é só
você registrar uma empresa falsa, assinar um acordo falso, desenvolver
um aplicativo útil e plantar um malware lá”, disse.

Ele acredita que assim que o iPhone ganhar uma quota de mercado
razoável, os hackers começarão a criar vírus para o aparelho, assim como
aconteceu com o Mac. “Os criminosos virtuais se interessam cada vez
mais pelo sistema do Mac. E usuários da Apple são ingênuos e pensam que
estão seguros”, diz.

Kaspersky explica que os ataques contra o Android crescem porque os
criminosos veem oportunidades de roubar informações nos celulares e
tablets. “é o mesmo o que aconteceu com os computadores nos anos 1990.
Os celulares estão ficando mais poderosos, com mais memória”.

Telecentro de Afu? tem sala com acesso ? internet para estudantes (Foto: Laura Brentano/G1)Kaspersky acredita que governo deve
investir em segurança antes de oferecer
PCs baratos (Foto: Laura Brentano/G1)

Hackers nas favelas
O especialista em segurança russo também chamou a atenção para os
projetos que levam computadores baratos para a população de baixa renda,
como o “Computador Para Todos”, do governo brasileiro.

Ele acredita que criminosos em regiões pobres veem a oportunidade de
usar a internet para roubar. “é uma porta que eles têm para um mundo
onde há muitas oportunidades. Alguns irão usá-las no caminho errado”,
explica.

Por isso, Kaspersky diz que os países em desenvolvimento, onde esse
tipo de programa é lançado, devem investir mais em segurança e prestar
atenção no lado negativo da iniciativa. “Eu acredito que os efeitos
positivos são mais importantes. Mas de qualquer forma, devemos nos
proteger contra as ameaças que chegam pelos novos criminosos virtuais”.

Conforme Kaspersky, hackers nas favelas, por exemplos, serão capazes de
desenvolver softwares não muito complicados para roubar dinheiro.
“Imagina se as pessoas nas favelas fossem capazes de entrar aqui, em uma
zona nobre, e não houvesse nenhuma segurança em volta? Você espera
efeitos negativos disso?”, questiona.

? poss?vel comprar com seguran?a pela internet (Foto: Divulga??o)Especialista diz que internet deveria
ter passaporte ou identidade para
cada usuário (Foto: Divulgação)

Polícia x cibercrime
A internet deveria ter uma polícia internacional como a Interpol para
investigar crimes que acontecem além das fronteiras, segundo Kaspersky.
“A internet não tem fronteira e as vítimas estão em qualquer lugar. A
polícia tem limitações por causa das barreiras entre os países”, diz.
Algumas nações já se organizaram para trabalhar em conjunto nessa
questão, como a “Convenção sobre o Cibercrime”, do Conselho Europeu.

Kaspersky acredita que essa seria uma das maneiras de diminuir as
ameaças no mundo. Outra iniciativa deveria partir dos provedores de
internet e das operadoras de celular. “Para rastrear os criminosos
virtuais, existe a necessidade de se ter dados. Eles precisam rastrear
as conexões e guardar essas informações por algum período”, diz
Kaspersky. “Não é uma questão de privacidade, pois eles não estão
roubando os dados dos usuários, e, sim, informando se aquele internauta
teve acesso àquele sistema”.

A terceira ação da polícia deveria ser a criação de passaportes ou
identidades para a internet. “Se você acessar uma rede perigosa, por
favor, apresente o seu passaporte”, diz Kaspersky. O documento seria
usado para algumas atividades confidenciais ou suspeitas. “Se você está
apenas lendo e-mails, não precisa. Mas, se você acessar sua conta
bancária, deve mostrar sua identidade”. Kaspersky explica que isso seria
apenas uma réplica do que já acontece na vida real.

“O fato é que as crianças hoje vivem na internet. Elas nunca irão
comprar livros impressos ou usar serviços offline. Elas fazem tudo pelo
computador. Em 10, 15 ou 20 anos, as crianças de hoje nunca irão aos
gabinetes eleitorais para votar. Se elas não tiverem passaportes na
internet, será o fim da democracia”, brinca Kaspersky.

Fonte: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/12/em-3-anos-android-bater-windows-em-numero-de-virus-diz-especialista.html

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